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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DIABULIMIA

Já tinha ouvido falar que existia um disturbio alimentar em pessoas diabéticas que se chamava de DIABULIMIA,  que basicamente consiste em diabéticos que deixam de tomar insulina ou diminuem as suas doses, com o objetivo de emagrecer, e já tinha até falado um pouco sobre isso aqui no blog, mas nunca tinha lido um depoimento de alguém que tinha tido... Então compartilho com vocês alguns pedaços desse depoimento que li no Blog da Doce Vida ... 
Desde que me entendo por gente que tenho que fazer dieta e sei o quanto é difícil chegar no peso ideal (coisa que até hoje tenho mas ainda não consegui) e como muitos também já tentei fazer algumas loucurinhas para conseguir emagrecer, como tomar sibultramina e algumas outras "gororobas" a mais.
Fiquei realmente um pouco chocada com esse depoimento, pois essa menina colocou sua vida realmente em risco, e com uma atitude realmente tramada e pensada....
Que Deus me dê luz suficiente para saber guiar a minha filha e dê responsabilidade suficiente a ela para que ela nunca passe uma situação como essa... 
Eu tive Diabulimia
Olá, sou Luciana e logo que fiquei diabética, em 1988, minha vida mudou.
Dois meses depois de diagnosticada comecei a comer exageradamente e, para compensar os abusos alimentares, tomava insulina para compensar.
Fazia isso sempre escondida das pessoas, pois àquela época, o tratamento do diabetes resumia-se a 2 doses de NPH diárias. O uso de insulina Regularera exporádico e feito apenas para corrigir glicemias muito acima do normal.
À época não havia insulinas lispro, aspart, glargina e outras tantas, tampouco contagem de carboidratos e tratamento com doses múltiplas de insulina.
Não demorou para que eu engordasse. Com 1,53 cheguei a 69.9 kg . Seis meses depois de diagnosticado o diabetes, lembrei do quanto havia
emagrecido antes de descobrir a diabetes.
Decidi, desta maneira, abandonar, temporariamente, as doses de insulinapara emagrecer (sem deixar de comer qualquer coisa). Depois, voltaria a tomá-las.
Doce, ou melhor, amargo engano.
Emagreci, mas não consegui parar com o comportamento alimentar errado. Até tentava. Mas um simples erro na alimentação, uma simples hipoglicemia que exigisse a ingestão de alimentos açucarados deixavam-me completamente apavorada com a idéia de engordar.
E, mais uma vez, abandonava ou diminuía as doses necessárias de insulina. Era tentador poder comer a vontade e estar sempre magra, mas também assustador. Por infinitas vezes chorei ao deitar, com medo do futuro, desesperada com as conseqüências que chegariam se eu não mudasse de comportamento.
O problema maior é que tal comportamento afetava toda minha vida: estudos, namoros, amizades, projetos. Tinha dificuldade em perseverar nas coisas, pois aquela que deveria ser a tarefa mais simples (cuidar de mim) parecia impossível. Imagine então as demais. Tornei-me uma menina muito brava, estressada, teimosa, deprimida e com a auto-estima extremamente baixa. Nas épocas em que conseguia cuidar do diabetes, comia exageradamente e acabava engordando. Não demorava muito tempo para abandonar as doses de insulina (sem deixar de me alimentar exageradamente) para emagrecer.
Busquei os mais diferentes médicos, mas nunca, quaisquer deles falaram especificamente sobre o que eu passava. Limitavam-se a me dizer que eu deveria ter força de vontade e que se eu continuasse a fazer o que fazia, iria me arrepender. Depois de tal discurso buscavam me tratar da mesma forma como eram tratados os demais pacientes. Nunca ouvia falar que alguém agia igual a mim, então imaginava ser a única pessoa do universo a passar pelo que passava.
Foram anos de psicoterapia, mas nada de melhorar naquilo que mais necessitava…cuidar de meu diabetes.
Em 2000, ou seja, 12,5 anos após a descoberta do meu diabetes tive a grande felicidade de participar de um grupo de jovens com diabetes da ADJ-SP. Minha vida a partir de então começou a mudar. Nesse encontro tive a oportunidade de conhecer uma menina (F) que, abertamente, falou pelo que passava. Juro que pensei ser eu falando. As mesmas dificuldades, o abandono da insulina para ficar magra e a profunda tristeza por fazer isso. Fiquei paralisada, emocionada. Descobri que eu não era a única pessoa do mundo. Pela primeira vez falei abertamente e, sem vergonha, sobre as coisas que eu fazia. Aquilo foi uma grande libertação.
Não bastasse isso, acabei conhecendo, neste mesmo acampamento, um rapaz também com diabetes com que namorei e me casei. Desde o começo ele soube das minhas dificuldades e foi, ao mesmo tempo, firme, exigente e carinhoso comigo.
Futuramente conheci (N), que também tinha o mesmo problema. A abertura sobre mim, a ajuda diária de uma pessoa da família (marido), além de trabalhos nos quais passei a me envolver para auxiliar pessoas com diabetes (tais trabalhos contaram sempre com o apoio e auxílio da Farmácia da Sete – que é uma farmácia especializada em diabetes na minha cidade) foram fundamentais para que a diabulimia fosse embora.
Hoje cuido de meu diabetes com tranquilidade, alimento-me normalmente e nunca mais engordei. Minhas hemoglobinas glicadas no ano de 2010 foram todas inferiores a 7 (antes de 2000 muitas delas foram superiores a 15). O casamento acabou, mas isto em nada afetou meu controle e cuidados com o diabetes.
Em 2009 é que soube que o problema que eu tinha se chamava diabulimia (aliás, soube também que ela somente foi reconhecida como transtorno alimentar em 2006). Resolvi pesquisar e percebi que a Joslin, trata de tal situação como um problema grave. Ao ler sobre isso, chorei durante horas. Soube, então, que não éramos somente Eu, F e N, mas nós e muitas outras meninas e mulheres (de diferentes locais do mundo que sofrem ou sofreram com isso) e de como tal problema precisa de um tratamento especial. Com todo respeito aos infinitos psicoterapeutas, mas a diabulimia não se trata apenas em um divã ou em conversas em uma cadeira (e olha que sou formada em psicologia).
O acompanhamento médico é essencial, mas não suficiente. É fundamental uma mistura integrada de tratamento médico, auxílio familiar (a família deve ser educada e ensinada a lidar com pessoas com diabulimia), convivência e trabalhos na área dediabetes, troca de experiências e, se possível, convivência com uma pessoa que já passou pelo problema e o superou.
Caso você seja uma pessoa com diabetes que passa pelo que eu passei, saiba que o quanto antes você procurar por ajuda, mais rapidamente será possível sair desse problema (e, preferencialmente, antes que as complicações apareçam). Assim, deixo meu email para que entre em contato comigo, caso tenha vontade ludottis@hotmail.com
Um grande abraço e boa sorte.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ainda sobre a escolha da escola...

A postura dos pais quando do primeiro contato com a Escola escolhida é muito importante. Precisamos passar a imagem adequada. Não podemos superdimensionar a condição de saúde de nossos filhos. Provavelmente será a primeira vez que professoras e coordenadoras estarão lidando com o assunto. O conhecimento da média da população sobre a doença associa diabetes a obesos e idosos. Além disso, no máximo, como regra geral, a professora conhecerá uma tia ou um amigo de um amigo que “não deve comer açúcar”. Tranquilidade e disposição para dividir conhecimento com os colaboradores da escola são essenciais.

Diabetes em criança? Tomando Insulina? Prepare-se para ouvir muitos “coitadinhos” ou “pobrezinha”. Aqui atitude é fundamental. O processo de educação de nossos filhos não pode sofrer indevidas interferências ou condescendência de professores que por puro desconhecimento acabam tratando alunos com necessidades especiais de modo diferente, por vezes segregando as crianças de algumas atividades.

Um atestado médico para a escola, uma boa conversa com a professora e supervisora e um acompanhamento de perto nas primeiras semanas servirá para afastar preconceitos e fomentar a confiança de que é possível manter uma rotina plena e normal, com apenas um pouco mais de atenção nas mudanças de comportamento em sala. (Ficar quietinha, chorar sem motivo, suar bastante, pode significar uma hipoglicemia, assim como agitação em excesso pode denunciar uma bela hiperglicemia alimentar...)

Ouvimos histórias de pais que contratavam enfermeiros ou babás para acompanharem integralmente seus filhos na escola durante toda a duração das aulas. Para nós essa não é a melhor abordagem. Os cuidados que adotamos resumem-se a verificar a glicemia antes de levarmos Júlia para aula. As professoras não tem autorização para aplicar insulina. Elas apenas verificam a glicemia, aprenderam a conduta em casos de hipoglicemia e ficam com telefones de emergência para nos contatar se necessário. Fazemos a correção da taxa de glicemia dela antes e após a escola. Apenas não negligenciamos na hora de buscá-la na escola. Como ela estuda pela manhã adotamos uma rotina de almoços assim que ela retorna para casa e sempre saímos com antecedência de casa para evitar contratempos de trânsito e demais imprevistos.

Nesses quase três anos de experiência escolar da Júlia, vi crianças que necessitam de cuidados ainda mais intensos do que ela. Intolerância a lactose e/ou glúten, problemas com corantes e alergias em geral, que muitas vezes ultrapassam a questão alimentar para atingir problemas respiratórios ou de pele.

Crianças com necessidades especiais são situações rotineiras em qualquer escola. Informação e um pouco de boa vontade resolvem a situação. Na medida certa a professora pode até utilizar a condição de saúde de nossos filhos e os cuidados que eles necessitam no processo educativo, ensinando aos demais a ter uma alimentação mais saudável e a cuidar de seu corpo. Afinal todos somos diferentes e aprendemos observando as peculiaridades dos outros.

Abraços do Pai da Júlia

sábado, 12 de junho de 2010

Como tratar a obesidade infantil

A obesidade é uma doença caracterizada por aumento da gordura corporal, que pode levar a várias outras patologias e até à morte. Uma criança obesa tem, até os dois anos de idade, 50% de chance de se transformar em um adulto obeso, aumentando esta proporção à medida que cresce. É o que alerta Mauro Scharf, endocrinologista do Lavoisier Medicina Diagnóstica/ DASA.
Um recente parecer da Força Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) recomenda que crianças obesas com 6 anos a 18 anos sejam encaminhadas para um tratamento considerado mais intenso para melhorar o peso, com prazo estimado de resultado em até um ano. Os programas analisados com 1.258 crianças e adolescentes norte-americanos incorporaram aconselhamento e outras intervenções, além da já tradicional dieta alimentar e da atividade física orientada. "As intervenções incluíram técnicas de gerenciamento comportamental para ajudar na mudança. No caso das crianças mais jovens, os pais foram envolvidos como um componente. Mas não se sabe ainda se estes resultados podem ser aplicados às crianças que estão com sobrepeso, mas não obesos", afrima Scharf.
O especialista explica que os pesquisadores dos Estados Unidos usaram diferentes programas. As intervenções foram consideradas completas quando foram incluídos elementos como: programas estruturados de dieta saudável e de atividade física, técnicas de automonitoramento e de controle de estímulos, análise dos riscos clínicos e comportamentais para a obesidade, aconselhamento comportamental, fornecimento de um plano de gestão de peso, medicamentos e intervenção de uma equipe multidisciplinar especializada em obesidade infantil.
O programa também contou com uma avaliação clínica do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). O IMC consiste na divisão do peso (em quilogramas) pelo quadrado da altura (em metros). Por exemplo: em uma pessoa com 90 kg e 1,70 m o IMC será: 90 / 1,70 x 1,70 = 32,1. Pessoas com IMC entre 20 e 24,9 têm peso normal; entre 25 e 29,9 têm sobrepeso e com 30 ou mais são obesas.
Scharf afirma que o tratamento da obesidade somente deverá ser realizado sob orientação médica. Após o diagnóstico diferencial, este poderá estabelecer um programa de reeducação alimentar, com a adequação tanto da quantidade como da qualidade dos alimentos ingeridos. "É importante lembrar que, em 99% dos casos, a obesidade infantil não está ligada a disfunções hormonais, como a maioria dos pais pensa", afirma. A prática de exercícios físicos, também sob indicação e supervisão médica, visa aumentar a massa muscular e o gasto de calorias, favorecendo o emagrecimento. O tratamento com medicações, tanto as que auxiliam na diminuição da ingestão de calorias, como as que diminuem a absorção das gorduras no intestino, poderá ser prescrito pelo médico em casos selecionados.
Nos Estados Unidos, de 12% a 18% das crianças e dos adolescentes de 2 a 19 anos são obesos, percentual este definido com base na idade, IMC e sexo. De acordo com o USPSTF, a prevalência de obesidade varia com a idade e é mais provável a ser maior em crianças mais velhas, nos meninos e em minorias raciais e étnicas.
Scharf lembra que crianças e adolescentes obesos têm um maior risco de ter diabetes tipo 2, asma, alterações cardiovasculares, hipertensão arterial, alterações das gorduras do sangue, doenças reumatológicas e ortopédicas, e doença coronariana, que predispõe ao infarto. "Isso sem falar nos problemas de saúde mental e psicológica, como depressão e baixa auto-estima, se comparadas com crianças não obesas", reforça o especialista.

Fonte: http://www.comunidadediabetes.com.br