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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DIABULIMIA

Já tinha ouvido falar que existia um disturbio alimentar em pessoas diabéticas que se chamava de DIABULIMIA,  que basicamente consiste em diabéticos que deixam de tomar insulina ou diminuem as suas doses, com o objetivo de emagrecer, e já tinha até falado um pouco sobre isso aqui no blog, mas nunca tinha lido um depoimento de alguém que tinha tido... Então compartilho com vocês alguns pedaços desse depoimento que li no Blog da Doce Vida ... 
Desde que me entendo por gente que tenho que fazer dieta e sei o quanto é difícil chegar no peso ideal (coisa que até hoje tenho mas ainda não consegui) e como muitos também já tentei fazer algumas loucurinhas para conseguir emagrecer, como tomar sibultramina e algumas outras "gororobas" a mais.
Fiquei realmente um pouco chocada com esse depoimento, pois essa menina colocou sua vida realmente em risco, e com uma atitude realmente tramada e pensada....
Que Deus me dê luz suficiente para saber guiar a minha filha e dê responsabilidade suficiente a ela para que ela nunca passe uma situação como essa... 
Eu tive Diabulimia
Olá, sou Luciana e logo que fiquei diabética, em 1988, minha vida mudou.
Dois meses depois de diagnosticada comecei a comer exageradamente e, para compensar os abusos alimentares, tomava insulina para compensar.
Fazia isso sempre escondida das pessoas, pois àquela época, o tratamento do diabetes resumia-se a 2 doses de NPH diárias. O uso de insulina Regularera exporádico e feito apenas para corrigir glicemias muito acima do normal.
À época não havia insulinas lispro, aspart, glargina e outras tantas, tampouco contagem de carboidratos e tratamento com doses múltiplas de insulina.
Não demorou para que eu engordasse. Com 1,53 cheguei a 69.9 kg . Seis meses depois de diagnosticado o diabetes, lembrei do quanto havia
emagrecido antes de descobrir a diabetes.
Decidi, desta maneira, abandonar, temporariamente, as doses de insulinapara emagrecer (sem deixar de comer qualquer coisa). Depois, voltaria a tomá-las.
Doce, ou melhor, amargo engano.
Emagreci, mas não consegui parar com o comportamento alimentar errado. Até tentava. Mas um simples erro na alimentação, uma simples hipoglicemia que exigisse a ingestão de alimentos açucarados deixavam-me completamente apavorada com a idéia de engordar.
E, mais uma vez, abandonava ou diminuía as doses necessárias de insulina. Era tentador poder comer a vontade e estar sempre magra, mas também assustador. Por infinitas vezes chorei ao deitar, com medo do futuro, desesperada com as conseqüências que chegariam se eu não mudasse de comportamento.
O problema maior é que tal comportamento afetava toda minha vida: estudos, namoros, amizades, projetos. Tinha dificuldade em perseverar nas coisas, pois aquela que deveria ser a tarefa mais simples (cuidar de mim) parecia impossível. Imagine então as demais. Tornei-me uma menina muito brava, estressada, teimosa, deprimida e com a auto-estima extremamente baixa. Nas épocas em que conseguia cuidar do diabetes, comia exageradamente e acabava engordando. Não demorava muito tempo para abandonar as doses de insulina (sem deixar de me alimentar exageradamente) para emagrecer.
Busquei os mais diferentes médicos, mas nunca, quaisquer deles falaram especificamente sobre o que eu passava. Limitavam-se a me dizer que eu deveria ter força de vontade e que se eu continuasse a fazer o que fazia, iria me arrepender. Depois de tal discurso buscavam me tratar da mesma forma como eram tratados os demais pacientes. Nunca ouvia falar que alguém agia igual a mim, então imaginava ser a única pessoa do universo a passar pelo que passava.
Foram anos de psicoterapia, mas nada de melhorar naquilo que mais necessitava…cuidar de meu diabetes.
Em 2000, ou seja, 12,5 anos após a descoberta do meu diabetes tive a grande felicidade de participar de um grupo de jovens com diabetes da ADJ-SP. Minha vida a partir de então começou a mudar. Nesse encontro tive a oportunidade de conhecer uma menina (F) que, abertamente, falou pelo que passava. Juro que pensei ser eu falando. As mesmas dificuldades, o abandono da insulina para ficar magra e a profunda tristeza por fazer isso. Fiquei paralisada, emocionada. Descobri que eu não era a única pessoa do mundo. Pela primeira vez falei abertamente e, sem vergonha, sobre as coisas que eu fazia. Aquilo foi uma grande libertação.
Não bastasse isso, acabei conhecendo, neste mesmo acampamento, um rapaz também com diabetes com que namorei e me casei. Desde o começo ele soube das minhas dificuldades e foi, ao mesmo tempo, firme, exigente e carinhoso comigo.
Futuramente conheci (N), que também tinha o mesmo problema. A abertura sobre mim, a ajuda diária de uma pessoa da família (marido), além de trabalhos nos quais passei a me envolver para auxiliar pessoas com diabetes (tais trabalhos contaram sempre com o apoio e auxílio da Farmácia da Sete – que é uma farmácia especializada em diabetes na minha cidade) foram fundamentais para que a diabulimia fosse embora.
Hoje cuido de meu diabetes com tranquilidade, alimento-me normalmente e nunca mais engordei. Minhas hemoglobinas glicadas no ano de 2010 foram todas inferiores a 7 (antes de 2000 muitas delas foram superiores a 15). O casamento acabou, mas isto em nada afetou meu controle e cuidados com o diabetes.
Em 2009 é que soube que o problema que eu tinha se chamava diabulimia (aliás, soube também que ela somente foi reconhecida como transtorno alimentar em 2006). Resolvi pesquisar e percebi que a Joslin, trata de tal situação como um problema grave. Ao ler sobre isso, chorei durante horas. Soube, então, que não éramos somente Eu, F e N, mas nós e muitas outras meninas e mulheres (de diferentes locais do mundo que sofrem ou sofreram com isso) e de como tal problema precisa de um tratamento especial. Com todo respeito aos infinitos psicoterapeutas, mas a diabulimia não se trata apenas em um divã ou em conversas em uma cadeira (e olha que sou formada em psicologia).
O acompanhamento médico é essencial, mas não suficiente. É fundamental uma mistura integrada de tratamento médico, auxílio familiar (a família deve ser educada e ensinada a lidar com pessoas com diabulimia), convivência e trabalhos na área dediabetes, troca de experiências e, se possível, convivência com uma pessoa que já passou pelo problema e o superou.
Caso você seja uma pessoa com diabetes que passa pelo que eu passei, saiba que o quanto antes você procurar por ajuda, mais rapidamente será possível sair desse problema (e, preferencialmente, antes que as complicações apareçam). Assim, deixo meu email para que entre em contato comigo, caso tenha vontade ludottis@hotmail.com
Um grande abraço e boa sorte.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Açucar: sim ou não

Muito se discutiu entre as "doces blogueiras e blogueiros" na semana passada sobre o consumo ou não do Açúcar pelos diabéticos... Alguns são contra, muitos a favor, tudo depende do ponto de vista pessoal e da conduta escolhida para o tratamento...

A minutos atrás estávamos eu e minha filhota comendo uma fatia de um delicioso bolo de limão, e a carinha dela de satisfação por estar comendo aquilo, sem culpa e sem ser "proibido" me fez parar para pensar... "O que seria de nós sem a bendita Contagem de Carboidratos????" 

A nossa posição e conduta com nossa filha é: SIM, ela come açucar!!!! 
Nós escolhemos o caminho da liberdade e da Boa qualidade de vida!!!! 
E viva a contagem de Carboidratos!!!!

Então resolvi postar aqui uma reportagem da Revista Sabor&Vida Diabéticos que achei bem interessante falando exatamente sobre isso...


Saiba a resposta para esse dilema que tanto mexe com a vida dos portadores de diabetes
Flávia Benvenga

Versão oficial
A resposta oficial a essa pergunta é afirmativa: o diabético controlado pode sim ingerir açúcar! Pois é, chega a ser surpreendende, mas é exatamente isso o que diz a Associação Americana de Diabetes (ADA). “Não existe nada que respalde a proibição do açúcar para o diabético”, garante a nutricionista Gisele Goveia, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Segundo a especialista, evidên­cias científicas têm demonstrado que a quantidade total de carboidratos (ce­­reais, massas, pães, açúcar e outros) presente nas refeições é mais importante para o ajuste da glicemia do que o tipo ou fonte dele. Ou seja, uma colher (sopa) de açúcar comum, o de mesa — que também é um tipo de carboidrato (sacarose) — pode fazer parte da dieta do portador de diabetes se for consumido no lugar, por exemplo, de duas colheres (sopa) de arroz integral 
De acordo com a nutricionista Lis Proença Vieira, do Serviço de Nutrição e Dietética do Incor, a ADA permite o consumo do açúcar para tornar a dieta do diabético menos restritiva. Mas dentro de alguns limites. A entidade sustenta que a sacarose (açúcar da cana ou da beterraba) deve substituir outro carboidrato na dieta e, se isso não acontecer, a quantidade extra de glicose deve ser compensada com aplicação de insulina ou outra medicação. “Portanto, para que o portador de diabetes inclua no cardápio o açúcar, puro ou utilizado no preparo de doces, sem comprometer os limites, ele deve reduzir o consumo de outros carboidratos, como pão, farinha, torta, macarrão, torrada...”, alerta a nutricionista Lis Proença.
Além da limitação de carboidratos, o diabético deve respeitar também os índices calóricos de uma alimentação saudável. “Segundo a ADA, a quantidade diária tolerada de açúcar, que varia de pessoa para pessoa, é de até 10% do valor calórico total da dieta. Assim, em uma dieta diária de 1.500 calorias, a pessoa poderia consumir 150 calorias de açúcar, o equivalente a uma colher e meia (das de sopa)”, observa a nutricionista Lis Proença. “Vale frisar que o limite de 10% de sacarose por dia faz parte de uma indicação para uma alimentação saudável universal, seja a pessoa diabética ou não”, acrescenta Gisele Goveia, da SBD.
Em sua rotina de atendimento a diabéticos, a nutricionista da SBD conta que recentemente elaborou a dieta de uma senhora com diabetes controlado que inclui um pedaço pequeno de bolo simples para ser apreciado mensalmente durante os encontros da paciente de­­­la com as amigas. “Percebi que ela iria comer de qualquer jeito o tal bolo, ­uma vez por mês nessa confraternização. Por­­­­ isso, para o lanche da tarde, suge­ri que ela substituisse uma fatia de pão de fôrma com requeijão light e um co­po de leite desnatado, que ela come nor­­malmente, pelo bolo e uma xícara de chá”, explica Gisele Goveia.
Amargas complicações 
Mas, se a principal entidade de diabe­tes do mundo autoriza o consumo de açúcar, por que todos dizem que os portadores da doença não podem co­mer doces? Os médicos costumam pregar que o diabético não deve inge­rir açúcar por não possuir insulina (hor­mônio produzido pelo pâncreas) suficiente para retirá-lo do sangue e levá-lo para as células. Ou seja, ficam com excesso de açúcar no sangue. O problema é que, se o diabético não mantém a taxa de glicose dentro dos ní­veis normais de concentração (em geral, de 80 a 99 mg/dL), corre risco de desenvolver uma série de complica­ções. E o que é mais importante: o des­controle da quantidade de glicose no sangue costuma estar relacionado ao consumo excessivo de açúcar e de outros alimentos ricos em carboidrato.
“Independentemente do ti­po de diabetes, 1 ou 2, os cuidados e complicações com relação à ingestão de açúcar são os mesmos”, ga­­rante a nutricionista Lis Proença, do Incor. “Quando o açúcar é consumido de forma excessiva, pode-se gerar uma hiperglicemia, que é o aumento da concentração de açúcar no sangue. Se esse quadro se mantém a longo prazo, a hiper­glicemia pode se tornar crônica e causar lesões vasculares”. Segundo o diabetólogo Roberto Betti, também do Incor, a concentração de açúcar no sangue por um tempo prolongado reduz a capacidade de dilatação dos vasos sangüíneos (vasoconstrição), provoca inflamações nas paredes do sistema circulatório e favorece o surgimento de coágulos (trombos). “Isto é, há uma alteração do fluxo sangüíneo, que pode afetar olhos, rins, coração, cérebro, regiões periféricas e sistema nervoso”, esclarece o médico. 
As principais complicações decorrentes desses problemas vasculares são a doença arterial coronária, que pode causar infarto do miocárdio, derrame cerebral e insuficiência periférica; a retinopatia, que prejudica a visão e pode levar à cegueira; a nefropatia, que atinge os rins e causa insuficiência renal; e a neuropatia, que danifica os nervos. A forma mais comum de neuropatia é a periférica que lesa os nervos motores (movimentos voluntários como andar), sensoriais (tato) e autonômicos (funções orgânicas como a digestão). Assim, a maneira mais segura de se conviver bem com a doença é controlar o nível de açúcar no sangue, alimentar-se de forma saudável, seguir orientações médi­-cas, praticar atividades físicas e, se for preciso, tomar medicamentos, co­mo a insulina.
Doce veneno
Justamente por conta dessas conseqüências, para muitos profissionais, o diabético deve simplesmente excluir da dieta os doces, ou seja, alimentos que contenham sacarose. “A orientação clássica é desaconselhar a ingestão da sacarose”, explica a nutricionista Gisele Rossi Goveia, da SBD. “Entretanto, baseado nos estudos pu­blicados em 1995 pela Associação Americana de Diabetes, a SBD também chegou a um consenso: o diabético controlado, cumprindo uma dieta saudável e fazendo uma correta contagem de carboidratos (leia glossário), pode sim inserir a sacarose na alimentação dele”, informa Gisele.
O endocrinologista Walter Minicucci, vice-presidente da SBD, concorda que o diabético controlado pode ingerir açúcar, mas acha que ele não deve fazê-lo. “O consumo é permitido por ser consenso da SBD e da ADA, mas digo que não deve porque a maior parte dos doces é rica também em gordura, o que pode causar o aumento do peso e, conseqüentemente, tornar mais difícil o controle do diabetes”, justifica o médico. “Além disso, o manejo é complicado, pois a pessoa precisa saber fazer a substituição do doce por um outro carboidrato da dieta, medir a glicemia e, no caso de quem depende da terapia com insulina, fazer eventuais ajustes de dosagem do hormônio”.
Picos glicêmicos 
O diabetólogo Antonio Carlos Lerario, do Incor, ressalta que o mais importante não é somente o tipo, mas também a quantidade do carboidrato ingeri­- do — que pode ser uma batata ou um bo­­lo —, pois no organismo o nutriente será quebrado e transformado em glicose. “A questão, no caso da sacarose, que é uma forma muito concentrada de carboidratos, é o pouco tempo que ela leva para ser absorvida pelo sistema digestivo e a rapidez com que eleva as taxas de glicose no sangue. É por isso que, na prática, restringe-se o açúcar e indica-se a substituição por alimentos preparados com adoçantes dietéticos”, afirma Lerario.
Seja como for, o fato é que os carboidratos são uma das principais fontes de calorias da dieta do diabético, que precisa conter de 50% a 60% desse nutriente. Eles provêm principalmente do açúcar (carboidrato simples) e do amido (carboidrato complexo, encontrado nos pães, massas e feijões) e todos se transformam em glicose durante a digestão. Segundo a nutricionista Gisele Goveia, é fundamental para o diabético entender que dietas muito ricas em carboidratos simples, como o açúcar refinado, elevam repentinamente a glicose no sangue. Isto é, a insulina sobe depressa para conseguir mandar o açúcar que está na circulação para dentro das células. No entanto, o índice desse hormônio também pode cair se, por exemplo, o diabético ficar muito tempo em jejum. E, quando essa queda é intensa, pode levar à hipoglicemia (veja o glossário). Essa situação é mais comum entre diabéticos tipo 1, mas também pode ocorrer com o tipo 2. De acordo com a SBD, ao sentir os sintomas da hipoglicemia (suor, frio, tre­mores, sono, cansaço, tonturas, con­fusão mental, falta de coordenação, fo­me e outros), a pessoa deve verificar a concentração de açúcar no sangue e, se estiver baixa (menor que 70 mg/dL), precisa consumir carboidratos de rápida absorção, como um copo de su­co de laranja ou uma bala.
Prazer proibido
Enquanto alguns grupos de profissionais permitem a seus pacientes que seguem o tratamento à risca e não são obesos consumirem açúcar, a orientação do Incor é não liberá-lo a ninguém. “Para consentir, é necessário que o diabetes esteja controlado e que o paciente tenha um perfil especial: deve ser consciente e disciplinado, porque ele precisa saber contar os carboidratos”, justifica a nutricionista Lis Proença Vieira, do SND do Incor. “Sabemos que, com o tempo, ele pode aprender, mas nossa experiência mostra que normalmente o diabético se excede. E, infelizmente, na prática, concluímos que a substituição do doce por um outro carboidrato não é feita”.
Para a nutricionista, isso acontece porque a quantidade de açúcar permitida pela ADA na dieta do diabético é pequena. “Se a sacarose for liberada para nossos pacientes, essa quantidade será facilmente ultrapassada”, argumenta Lis Proença. “Além disso, como a porção aceitável de açúcar precisa ser ingerida em substituição a alguma outra fonte de carboidrato da dieta, o diabético precisa estar muito atento para não adicionar o açúcar ao que ele já come de massa”. Segundo o diabetólogo Antônio Carlos Lerario, para o diabético controlado, dependendo da quantidade, a ingestão da sacarose pode mesmo não fazer diferença. “Mas é essencial saber como usar o açúcar e seguir as orientações de forma responsável”, sintetiza o médico.
Nutriente dispensável
Os especialistas em saúde são unânimes em afirmar que, tanto para o indivíduo saudável como para o diabético controlado, o consumo de doces como bolos, pudins, tortas e chocolates deve ser esporádico. “Apesar de o açúcar ser uma fonte de energia, a sacarose não faz falta, diferente do carboidrato complexo, o amido. Esse sim é fundamental para uma alimentação saudável”, acredita Lis Prença, do Incor.
Até agora, as pesquisas científicas que visam “adoçar” a relação entre açúcar e diabetes caminham em direção à melhora da qualidade dos adoçantes dietéticos. “A indústria alimentícia dedica-se bastante ao desenvolvimento de produtos que substituam o açúcar e não tenham sabor residual”, conta Lis.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como retomar uma boa dieta após os excessos

Festa, com certeza, foi o que não faltou. Foi festa de amigo secreto, de encerramento das aulas, de confraternização e, ainda, as ceias de Natal e de Ano Novo. Com tanta atividade, muita bebida e comida gostosa, é praticamente impossível que alguém tenha passado incólume pelo final do ano. Afinal, quem resiste a tantas tentações? Mas agora é que são elas. O ano está começando e os probleminhas estão aí, nos batendo à porta, ainda que não passem de uma leve dor na consciência ou uns quilinhos a mais.
Para quem sucumbiu aos prazeres natalinos, o negócio é seguir as dicas da nutricionista Daniéla Magro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e voltar mais que depressa a sua alimentação normal, com carnes magras, queijo branco light, frutas, legumes e muita verdura. Durante os primeiros dias após os excessos, deve-se evitar novo consumo de gorduras. Assim, é bom riscar do cardápio pós-festas as frituras, os empanados, queijos amarelos, sorvetes, bolos, manteiga, amêndoas, castanhas e carnes gordas, por exemplo.
Mas só isso não é suficiente para eliminar o excesso de gordura que fatalmente se ingeriu durante as festas. Afinal, as gorduras é que não faltaram nas nozes, nas castanhas, no tender, no leitão, no pernil, nos doces e em tudo o mais que enfeita as mesas de fim de ano. O ideal, aconselha Daniéla, é aumentar um pouco a freqüência das atividades físicas que o portador de diabetes já pratica normalmente, porque a atividade física ajuda a diminuir os quilos adquiridos e a melhorar a glicemia.
Assim, se a pessoa faz exercícios uma vez por dia, deve passar a fazer duas. Se for impossível reservar dois horários para essas atividades, deve-se aumentar um pouco o tempo normalmente dedicado aos exercícios em 15 a 20 minutos. Daniéla recomenda que, apesar dos exageros cometidos nos dias anteriores, não se deixe de fazer um lanche - ou tomar o café da manhã, se a atividade for praticada logo cedo - antes de iniciar a "malhação".
A nutricionista faz um lembrete. Em caso de hiperglicemia, se as taxas estiverem acima de 300 mg/dl, muitos médicos não recomendam a prática de exercícios físicos. Nesse caso, antes de fazer qualquer atividade física, a recomendação é de primeiro regularizar a glicemia em níves aceitáveis para a prática de exercícios e, depois, iniciá-los.
Ela também aconselha que a pessoa aumente a ingestão de líquidos: muita água, chás, limonadas com adoçante, tudo isso ajuda a manter a hidratação do corpo, tão necessária no período de verão. Sem esquecer que, se normalmente é necessário beber de 2 a 3 litros de água por dia, quando se aumenta a atividade física a quantidade de líquido também precisa aumentar. Para cada hora de exercício aeróbico (caminhadas, natação, ciclismo, dança), por exemplo, deve-se ingerir entre 800 ml e 1 litro de água.

sábado, 12 de junho de 2010

Os desafios para emagrecer o paciente diabético

Além da hereditariedade, não há um fator de risco mais importante para uma pessoa se tornar diabética do que a obesidade.
Ou seja, pior do que ser obeso, só mesmo ter pai ou mãe diabéticos. Quando, além de ter pais diabéticos, também somos obesos, o nosso destino está traçado: seremos diabéticos um dia.
E isto acontecerá mais cedo, quando o nosso peso corporal está acima das indicações médicas. Será que essa pessoa hipotética, obesa e com pais diabéticos, tem alguma chance de não se tornar diabética? Claro que tem. Suas chances estão intimamente ligadas às mudanças no estilo de vida: mudança do padrão alimentar, perda de peso e prática de exercícios físicos.
A medida que engordamos, passamos por alterações na ação da insulina, com perda progressiva da eficácia desse hormônio e nos tornamos progressivamente predispostos ao diabetes. Felizmente, o inverso também ocorre: uma vez diabéticos e com excesso de peso, à medida em que perdemos peso, passamos por recuperação metabólica, com melhora progressiva na eficácia da insulina, podendo inclusive levar à normalização das taxas do açúcar do sangue. Isso equivale dizer que quando um diabético obeso perde peso, ele se torna progressivamente “menos diabético”, chegando a desaparecer as alterações bioquímicas características da doença.
Um dos grandes entraves ao tratamento da obesidade do paciente diabético tipo 2 ou não insulino dependente é o fato dele ter níveis elevados de insulina no sangue. A insulina, por ser um hormônio que sempre propicia o estoque das calorias em detrimento da queima, facilita o ganho de peso e dificulta a perda de peso. Isso ocorre mesmo antes de aparecer o diabetes, em um paciente predisposto, uma vez que ele já apresenta elevados níveis de insulina no sangue, apesar da glicose ainda ser normal, revelando o grande esforço do pâncreas em evitar o diabetes.
Em todos esses casos, temos um paciente com sobrepeso ou obesidade com grande dificuldade de perder peso, apesar da dieta.Para esses casos, já dispomos de medicamentos que reduzem a resistência insulínica, fazendo com que doses bem menores do hormônio possam causar o mesmo efeito no controle dos níveis de glicose, facilitando assim a vida dos pacientes.
Esses medicamentos não levam à perda de peso por si só, eles simplesmente diminuem os entraves à perda de peso, no caso, os altos níveis de insulina.Outro fator que dificulta a perda de peso entre os diabéticos tipo 2 é a necessidade que muitos têm de usar insulina durante a evolução da doença. Isso ocorre porque na evolução do diabetes tipo 2, ele também passa a produzir menos insulina.
Esses pacientes geralmente engordam muito, quando incorporam a insulina ao tratamento e têm uma maior dificuldade para perder peso. A saída nesse caso é utilizar a menor dose possível de insulina para atingir a normoglicemia. Para isso, a dieta deve ser rigorosamente titulada, pois quanto maior a quantidade de alimentos ingerida, maior a dose de insulina requerida.A maior parte dos antigos medicamentos orais utilizados para o tratamento do diabetes e as insulinas propiciam o ganho de peso. Felizmente, temos visto a entrada no mercado de novos medicamentos para o tratamento do diabetes, com propostas de não interferirem no ganho de peso ou até mesmo propiciarem a perda de peso desses pacientes. Logo, temos presenciado uma grande evolução da farmacologia antidiabética, no sentido de facilitar a importante tarefa de emagrecer esses pacientes.

Mudanças no cardápio

O formato do cardápio para emagrecer o paciente diabético é o mesmo daquele que fazemos para outro paciente não diabético com o mesmo peso, idade e atividade física. Esse cardápio deve ser balanceado, ou seja, nada de cortar carboidratos, nada de retirar alimentos porque o grupo sangüíneo é A ou B, nada de listas enormes de suplementos vitamínicos que de nada adiantam e podem até ser deletérios.
O que importa para emagrecer é a adoção de uma dieta com valor calórico menor do que os gastos calóricos diários deste paciente.Além disso, a dieta deve respeitar as necessidades nutricionais do paciente, para que seja possível emagrecer sem que ocorra a desnutrição. Finalmente, após a perda de peso, o que importa para manter o peso de alguém, é que essa dieta respeite o perfil e o estilo de vida de cada um e não seja “tão fora do comum” que inviabilize sua continuidade.Parece simples, mas não é.
Não é para as pessoas em geral, bem como também não é para o paciente diabético. Há que se ter muita motivação, bom humor e carinho consigo mesmo. E no caso dos pacientes diabéticos, eles têm um estímulo a mais: o conhecimento de que a perda de peso pode facilitar em todos os aspectos o tratamento da doença, reduzindo a dose dos medicamentos orais ou da insulina e as possibilidades de complicações cardiovasculares, a grande causa de morte entre eles.
É importante oferecer aos pacientes diabéticos esta informação, de que emagrecendo eles se tornam menos diabéticos e para alguns deles, principalmente os de início recente e com pequenas alterações glicêmicas, a perda de peso pode inclusive fazer desaparecer qualquer evidência bioquímica da doença, fazendo retroceder o processo patológico em andamento.

SERVIÇO: * Dra. Ellen Simone Paiva - Médica Especializada em Endocrinologia e Nutrologia e diretora clínica do CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional - Rua Vergueiro, 2564 - Conjuntos 63 e 64 - Vila Mariana - São Paulo - CEP: 04102-000 - Telefone: (11) 5579 1561/5904 3273 - www.citen.com.br

FONTE: www.portaldiabetes.com.br/