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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A primeira autoaplicação de verdade!

Por Kellen, mãe da Marília

Já falei antes aqui sobre o momento certo para as crianças iniciarem a autoaplicação de insulina que, na minha concepção, deve ser de forma natural e espontânea.
Marília sempre demonstrou interesse por tudo e até começou a autoaplicação sob minha supervisão aos 6 anos, mas não durou muito tempo e ela me disse que estava com medo e preferia que eu fizesse. Tudo bem, afinal o importante é que ela se sinta segura e confiante para isso.
Mas ultimamente, ela tem demonstrado muito interesse por dormir mais na casa da avó, ir para a casa de amigos, enfim, atividades que ela quer fazer sem mim....então conversei muito com ela sobre a indepedência que ela teria ao fazer a aplicação. A partir daí, começamos um período de “treinamento”, em que ela aplicava, eu incentivava, supervisionava e nós comemorávamos a cada aplicação.
Essa semana, eu e meu marido nos ausentamos por algumas horas, num horário que ela não precisaria aplicar insulina. O problema foi que ela teve uma hiper de 311 e aí não tinha jeito, precisava corrigir....falei com ela ao telefone e ela disse: “é mãe, tá alto né? vou ter que aplicar...tô com um pouco de medo, mas vou fazer!!!” E fez....me ligou de novo feliz da vida porque tinha conseguido e eu nem cabia em mim de tanto orgulho da coragem dela (claro que eu determinei a dose que ela aplicaria)......duas horas depois, eu já havia chegado e medimos novamente: 138....novas comemorações e abraços porque ela teve sucesso na sua primeira autoaplicação sem a mamãe ou o papai.

Mas o melhor disso tudo foi ver nos olhinhos dela como ela ficou satisfeita com a própria coragem e feliz por ver que é capaz!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

EXISTE UMA IDADE CERTA PARA QUE AS CRIANÇAS COMECEM A AUTOAPLICAÇÃO DA INSULINA?

 

Nossa Júlia iniciou a vida de diabetes muito cedo… Ela tinha apenas um ano, ou seja, um bebê… Por anos fomos nós, os pais, os responsáveis por todo processo de aplicação de insulina… Ela foi crescendo e foi aos poucos se interessando no processo… Tanto é, que quando Júlia deixou de usar as canetas e passou a usar a bomba , ela estava começando já a se autoaplicar. Porém, nem chegamos a concluir o processo e ela mudou de tratamento…Agora a fase é outra . É a fase da autoaplicação das canulas da bomba… Mas isso contarei em outro post…

Nesse post Kellen, nossa parceira aqui no blog, fala um pouco sobre sua experiência com a autoaplicação de insulina com a Marília, sua filha:

 

EXISTE UMA IDADE CERTA PARA QUE AS CRIANÇAS COMECEM A AUTOAPLICAÇÃO DA INSULINA?

POR KELLEN, MÃE DA MARÍLIA.

Quando nos vemos frente à realidade do diabetes tipo 1, um dos maiores receios está relacionado à aplicação das insulinas diárias, muito provavelmente pelo fato de envolver agulhas, o que apavora a maior parte das pessoas. As mães, protetoras por natureza, quase sempre assumem integralmente essa função, só delegando a outra pessoa quando não têm outra opção, mesmo por que, quase ninguém se dispõe a essa tarefa, seja por ter pena da criança, ou pelo próprio medo de cometer algum erro na aplicação.

Mas nossas crianças vão crescendo, querendo mais independência, tendo mais atividades em que os pais não estão presentes, como ir à casa dos colegas; atividades esportivas, campeonatos de natação, no caso da Marilia; dormir na casa dos avós....e aí, o que fazer? Aqui em casa, quando dorme na casa da vovó, o papai vai cedinho pra medir a glicemia e aplicar a insulina, eu ainda acompanho nos eventos esportivos, mais para paparicar e gritar na torcida alucinada, é verdade...também para garantir que nada saia do controle em relação ao diabetes, mas até quando ela se sentirá à vontade com tudo isso?marilia kellen

Marília ficou diabética pertinho de completar 4 anos e já está com seis...sempre aceitou muito bem a condição e também demonstrou muito interesse pelo arsenal que envolve as medições de glicemia e aplicação de insulina. Os dedinhos ainda tão pequenos e já queria fazer sozinha.....mas eu não deixava com medo de que se machucasse. Porém, achava importante que ela participasse, então deixava que armasse a lanceta, girasse o tamborzinho(nosso lancetador é o multiclix), que colocasse a tira no aparelho....e por fim, que encostasse a tirinha para “puxar” a gotinha de sangue. Mas a danadinha sempre pedindo pra fazer sozinha.....

Foi para a escola perto de completar 5 anos, e mesmo a professora aprendendo a medir a glicemia, eu não estava muito segura....foi aí que resolvi deixar que ela fizesse os testes de glicemia sozinha, o que ajudou muito.

Desse tempo até aqui, já se vai mais de um ano e nesse período foi a mesma coisa com as canetinhas....ela interessada, participando de toda montagem do arsenal, até apertando o botão e retirando a caneta da pele sozinha, quando um dia perguntei se queria fazer a aplicação toda sozinha e ela disse que SIM. Só faz na barriga, sob minha total supervisão para que não haja, principalmente, uma superdosagem de insulina.

O mais importante, no meu modo de ver, é fazer com que as crianças se interessem por esse cuidado sem pressioná-las, pois um dia elas, obrigatoriamente, assumirão essa tarefa sozinhas. PARTICIPAÇÃO é a palavra-chave, fazendo tudo de maneira natural, sem dramas, mas incluindo-as no processo, nem que seja apenas para passar o algodãozinho com álcool para a desinfecção. Toda criança adora se sentir útil, ainda mais sendo diretamente relacionado a elas. Quem nunca se achou o máximo na infância porque conseguiu amarrar o tênis sozinho? É a mesma coisa. Se passarmos segurança a elas, com certeza será bem mais fácil e tranquilo, no momento delas.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Hipoglicemia: Este vilão está com seus dias contados?


"Eu sempre comento com meus pacientes que se não houvesse hipoglicemia, todos os portadores de diabetes seriam muito bem compensados. Sabemos de longa data que o maior desafio do controle intensivo do diabetes é a hipoglicemia.
Nos portadores de DM1 os sintomas são muito intensos, por vezes graves e consequências sérias. Nos DM2 estudos recentes mostraram aumento da mortalidade por hipoglicemia quando tentamos atingir um controle rígido da glicemia.
E o que está por trás disso?  Nosso salva-vidas é o Glucagon, hormônio produzido nas células alfa do pâncreas que é o maior responsável pelo aumento da glicemia quando esta fica baixa.
hipoglicemia
Muitos conhecem aquela caixinha laranja, já quase pronta para o uso em uma situação de emergência. Porém, o Glucagon fica na forma de um pó que deve ser diluído e aplicado no momento do uso, e em dose empírica, de meia a 1 ampola dependendo do caso.
Muitas vezes nos questionando do motivo pelo qual não existe uma bomba de glucagon, da mesma maneira que hoje utilizamos, com excelentes resultados, as bombas de infusão de insulina.
Claro, se já temos monitores contínuos que podem detectar leves oscilações glicêmicas, elas poderiam atuar em conjunto com a liberação de glucagon, para evitar as hipoglicemias e fechar o círculo que chamamos de “Pâncreas Artificial”Aí é que está o problema.
O Glucagon que temos a disposição hoje, só pode ser administrado imediatamente após ser solubilizado, pois não consegue manter sua estabilidade por mais tempo (devido ao ph), e pode formar fibrilas de amilóide (e conseqüentemente doenças degenerativas) e citotoxicidade.
A Revista Journal of Diabetes Science and Technology do mês de Novembro traz vários artigos relacionados ao glucagon. Em 1 deles, os autores mostram um análogo do glucagon (MAR-D28) que foi testado in vitro e em animais com grande sucesso, estabilidade e ausência de citotoxicidade por 5 dias!!
Outros artigos mostram a dificuldade de se conseguir determinar as doses e a forma de liberação do glucagon em bomba de infusão, pois ainda é algo desconhecido para todos. Vários softwares e algoritmos estão sendo testados, para se chegar corretamente a uma liberação mais adequada.
Este é talvez o início de uma era onde vamos aperfeiçoar a utilização do glucagon junto com as bombas de insulina e também com os novos monitores contínuos, fechando a alça do Pâncreas Artificial, melhorando muito o controle do diabetes que necessita de insulina, e prevenindo os tão graves episódios de hipoglicemia severa.
Porém, uma estrada muito longa e tortuosa ainda é necessária ser percorrida até chegarmos lá. Vamos aguardar!!"

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Dr. Marcio Krakauer
Médico Endocrinologista. Colunista do site da SBD. Presidente da ADIABC.

sábado, 16 de outubro de 2010

Vivendo e aprendendo...

Estamos a  7 dias com Julia tomando um monte de remédios, sete no total,  e, com isso, suas glicemias subindo desesperadamente... 
Estava muito estranho!!!! Xinguei de todas as formas possíveis e imagináveis os remédios, culpei o açucar contido neles (até fiz um post sobre isso) , aumentamos as doses da insulina basal, trocamos até os refis das insulinas achando que elas deviam estar "estragadas"... 
A "desgraça" está grande que nos assustou!!! Ela está ficando sempre na casa dos 300-400!!!! E do nada!!! E não dá nem pra culpar a alimentaçao pois ela está até comendo menos que o normal...

Então decidimos hoje ligar para a Susana, endocrino-pediatra, para saber o que fazíamos... 
Não sei nem porque cargas dágua nós não ligamos antes!!!!
Ela então nos informou que quem fazia aquele estrago era o CORTICÓIDE que ela estava tomando (Predisin) e que ele mexia loucamente com as glicemias...

Fui pesquisar na internet e achei...
"Os corticosteróides aumentam a quebra de proteínas para que sejam transformadas em glicose pelo fígado (gliconeogénese), levando por isso a um aumento da glicemia(quantidade de glicose no sangue)."
Na bula do remédio vem informando o seguinte:
"Reações adversas / Efeitos colaterais de Predsim
...redução da tolerância aos carboidratos, manifestação de diabetes mellitus latente, aumento da necessidade de insulina ou hipoglicemiantes orais em pacientes diabéticos..."
 Pra vcs verem como tudo é a experiência....

Mas pelo menos a ultima dose nós demos hoje de noite... Agora é esperar o efeito dele passar e tentar normalizá-la...

Ai Deus!!!! Quero nem pensar em quanto vai dar a Hemoglobina Glicada desse trimestre!!!!!!



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Insulina pode causar alergia??

Muitas vezes quando aplicamos a Levemir na Júlia, aparece em volta do lugar da aplicação, uma mancha vermelha, como se fosse uma alergia... Então quando vi esta reportagem no portal diabetes resolvi postar....


Insulina pode provocar alergia
Em alguns casos, a insulina pode provocar alergia. Essa é uma das complicações possíveis do tratamento do diabetes, mas, felizmente, é um evento raro, em grande parte porque a tecnologia já permite alcançar alto grau de pureza no produto, explica a endocrinologista Maria Elizabeth Rossi da Silva, do Hospital das Clínicas de São Paulo e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Maria Elizabeth Rossi da Silva – “Embora cada vez mais rara, a alergia pode atingir o usuário de insulina. As reações variam do leve desconforto a situações críticas, com manifestações letais como o choque anafilático. Os sintomas de alergia ocorrem mais usualmente nos primeiros seis meses de terapia insulínica e são mais frequentes em quem faz uso intermitente da medicação. Pacientes que desenvolvem alergia à insulina são também mais propensos a manifestar alergia a outros medicamentos, como a penicilina, por exemplo.
A manifestação alérgica pode incidir no local da aplicação ou ser uma reação generalizada. Quando é localizada, compreende três tipos principais:
a) Eritema (vermelhidão) e nódulo discreto, coceira (prurido) ou, às vezes, dor no local da injeção. A reação é imediata, com urticária, nódulo e prurido, seguida da fase tardia, 6-12h após, com edema, eritema e prurido (que podem durar até 2-3 dias).
b) Reação de hipersensibilidade intermediária, que se inicia após 4-8h da injeção, com pico após 12h. As lesões são endurecidas e dolorosas, às vezes com hematoma central, e causam coceira.
c) Hipersensibilidade tardia mediada por células. São lesões pruriginosas, endurecidas, avermelhadas, com queimação local, que aparecem após 12h da aplicação, com pico após 24-48h.
Eventualmente, o diagnóstico dessas lesões pode requerer biópsia.
Já a alergia generalizada é extremamente rara e atinge menos de 0,05% dos pacientes. Os sintomas podem incluir urticária generalizada, edema, vermelhidão, taquicardia e broncoespasmo (chiado pulmonar); raramente evolui para parada cardiorrespiratória.
O tratamento consiste em afastar fatores locais, tais como técnica inadequada de aplicação da insulina ou de higiene local, alergia ao álcool ou produtos utilizados na assepsia. As pistolas injetoras de insulina muitas vezes causam erosão na pele, simulando alergia. A agulhas ultrafinas utilizadas atualmente não causam danos à pele.
As reações locais tendem a ser autolimitadas e se resolvem espontaneamente em 1-2 meses. Pode ser necessário utilizar medicamento oral específico, principalmente aqueles com efeito anti-inflamatório ou anti-alérgico. A medicação não deve ser injetada junto com a insulina porque tem incompatibilidade química e precipita a insulina.
A alergia à insulina, mais frequente quando se usavam as insulinas bovinas ou porcinas era, muitas vezes, facilmente resolvida com a mudança para insulina humana. Como comentado, a alergia à insulina humana é extremamente rara. Nesses casos, uma possibilidade a ser considerada é a alergia a determinados componentes presentes na solução de insulina, podendo ser necessária a troca por outro tipo ou marca de insulina. Dispomos no mercado de insulinas de ação lenta (humana-NPH e análogos: glargina e detemir), de ação rápida (humana regular) ou ultra-rápida (análogos lispro, asparte e glulisina). Se, no entanto, todas essas alternativas falharem, o paciente deve ser submetido à dessensibilização, em regime de internação hospitalar.”
Fonte : "Diabetes Nós Cuidamos" 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Júlia e as aplicações de Insulina

Caneta de insulina Novopen 3 Demi

Júlia desde o início, nunca teve uma boa reação às aplicações de insulina, principalmente à insulina Basal (inicialmente com a Lantus e atualmente com a Levemir)...
Agulha Bd Ultrafine III de 5mm
Apesar de usarmos nela a menor agulha de todas que é a de 5mm da BD e a caneta de insulina que á considerada uma das melhores de todas, que é a Novopen 3 Demi, da Novonordisk,  ela sempre reage a todas as aplicações com muito choro e reclamações.
Ultimamente temos notado que tem piorado bastante em suas reações... Ela tem dado verdadeiros escânda-los...
Na aplicação de 6 horas da manhã, tentamos sempre pegar ela ainda dormindo para evitar estresse... Quase sempre conseguimos... Mas na de 6 horas da noite,  não tem jeito,  sempre tem choros e muito gritos...
Todos os dias conversamos muito com ela sobre isso, explicando que não fazemos aquilo porque queremos, mas sim porque ela precisa para que ela não fique dodói, e sempre explicando o porquê e o que acontece se não dermos a insulina naquele momento... Mas, não tem conversa que dê jeito... Já tentamos de todas as formas.
Muitas vezes ela sabe que está chegando a hora de tomar e fica enrolando (desde desta idade e já tão espertinha), fugindo, inventando coisas para fazer só para adiar o quanto ela pode a aplicação.
Mas tanto eu como Marcos, somos muito Caxias (alias temos que ser) e não abrimos a guarda de forma alguma!!! A hora da insulina e das refeições são horas sagradas para nós e buscamos sempre seguir a risca os horários...
Sempre a impressão que tenho é que não é a picada da agulha que incomoda ela, mas sim a entrada da insulina no corpo... Ela não sabe dizer ainda com precisão, mas me parece arder um bocado!!!  Muitas vezes fica até uma mancha vermelha circulando o lugar da aplicação, principalmente quando ela toma a Levemir.
A novorapid que é a insulina de ação ultra rápida (usamos nela só quando necessário, dependendo de suas glicemias e de quanto de CHO ela comeu na refeição) ela quase não reclama... Não sei se é porque não arde tanto quanto a outra ou se porque a quantidade é sempre menor...
Quando estamos fora de casa ela até que se comporta mais... Será que a reação de casa pode ser manha e drama??? Ou ela na rua sente vergonha de chorar apesar de estar sentindo dor??? Queria poder aplicar em mim alguma vez só para sentir a sensação que Júlia sente... É difícil você combater uma reação sem saber o porquê dela, sem saber os verdadeiros motivos que levam ela a dar tanto escânda-lo para tomar insulina...

Outra coisa importante que tenho que destacar é o local da aplicação...
Temos sempre que ficar fazendo rodízio entre os lugares que aplicamos (braços, pernas, barriga e glúteo), mas muitas vezes ficamos sem muita alternativa.
Sabemos, de acordo com a reação dela, que os lugares que menos dói nela são as laterais dos braços e principalmente o bumbum...
Ela não deixa de forma nenhuma nós aplicarmos na barriga com ela acordada, por isso a barriga é nosso local preferido para a primeira insulina do dia que é justamente a que aplicamos com ela ainda dormindo.
 Os braços deixamos para as ultra rápidas, principalmente quando estamos fora de casa pois é super fácil de aplicar....
A aplicação na perna, evitamos muitas vezes por conta da absorção da insulina que não é boa na Júlia. Ela já teve algumas hiperglicemias por conta de aplicações na perna, principalmente da basal. É o local que menos gostamos de aplicar e que é mais difícil de prever o que vai acontecer...
Passamos a aplicar também nas gordurinhas laterais da barriga dela, os famosos pneuzinhos, e estamos tendo muito sucesso, tanto com a absorção como na reação dela à aplicação.

Espero que quando ela crescer um pouco mais as coisas melhorem e ela passe a reagir melhor às aplicações... Nosso coração agradece e acho que nossos vizinhos também, pois todos do prédio devem se assustar com o escanda-lo diário das aplicações. 

Abraços em todos,
A mãe da Jujuba