Essa semana num reencontro com uma antiga colega de escola, estávamos discutindo o “estar” ou “não estar” preparado para engravidar e ser mãe...
Parei então para pensar sobre esse assunto ... Acho que na verdade nunca me senti realmente preparada para ser mãe... Eu FUI mãe e pronto!
Eu e Marcos estamos juntos a mais de 17 anos, desses apenas 7 de casados ( sim, demoramos 10 anos para casar... rsrsrsrs). Engravidei de Julia num sustinho bom.... Realmente não esperava e não me sentia muito preparada para isso... Mas será que um dia me sentiria???? No inicio foi confuso para a minha cabeça, mas loguinho passei a gostar da idéia e já contava os dias para ver a carinha dela (contava os dias de verdade, pois apesar de estar adorando a ideia de ser mãe, não gostei de nenhum momento do processo de gravidez...)
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Eu e minha Jujuba na Festinha do
Dia das mães na escola |
Júlia então nasceu... Amadureci ao longo dos meses e peguei pratica suficiente para me sentir uma mãe bem razoável...
Ao fim desse primeiro ano minha vida já estava começando a voltar ao normal. Tinha voltado a trabalhar a todo vapor, Julia já estava matriculada numa creche escola, Já estávamos voltando a sair à noite, e a dormir uma noite toda sem preocupações.... Foi aí que de uma hora pra outra as coisas começaram a mudar... Julia já não dormia direito, estava sempre irritada, chorava por tudo... Resultado: Veio a “Bomba” do diabetes...
Tive que amadurecer na marra!!!! Tive que arrumar forças não sei de onde, para levantar a cabeça a enfrentar a situação desde o primeiro dia....
O tempo passou, a situação acalmou, e eu terminei mudando um pouco os meus conceitos do que seria o “ser mãe”...
Hoje é algo muito mais profundo e complexo... Muito mais maduro e principalmente sem lugar para “frescuras”....
Hoje para mim, ser mãe, é tornar minha filha feliz, a qualquer custo apesar das dificuldades;
É acordar todos os dias às 6 da manhã, independente de ser fim de semana, férias ou feriado para fazer a aplicação da insulina basal com Julia ainda dormindo, para que ela “não sinta” pelo menos uma das furadinhas necessárias do dia;
É saber reconhecer o que cada gesto, cada olhar e cada “suor” representa em relação à suas glicemias;
É acordar todas as madrugadas para dar uma comidinha noturna para que ela não corra o risco de acordar com hipoglicemia;
É ter mãos de polvo (com pelo menos uns 10 tentáculos) ou virar uma super heroína, na hora de corrigir uma hipoglicemia severa, estando sozinha com ela e sem ninguém para ajudar;
É superar uma grande fobia que tenho desde infância, para poder socorrê-la;
É assistir aos avanços, sorrir com as pequenas vitórias e ampará-la nas pequenas derrotas;
É dormir com um olho aberto e outro fechado e com os ouvidos bem juntinho de sua cama;
É acompanhar escondidinha absolutamente tudo que acontece na escola, ensinar professoras e lutar sempre pela igualdade de tratamento dela em relação às outras crianças...
Ser mãe é ter uma aventura permanente, ter dias totalmente diferentes um do outro, mesmo que a rotina continue absolutamente a mesma ;
É apesar de ter fórmulas exatas dadas pelos médicos, ter muitas vezes a certeza de que é a sua percepção e sentimento que vai ajustar melhor os controles de sua filha, pois o organismo dela não segue uma fórmula exata;
É virar uma expert em assuntos que antes odiava discutir;
É aprender a comer verdura só para dar bom exemplo;
É decorar uma tabela praticamente inteira das quantidades dos carboidratos dos alimentos;
É ter o sangue frio de dar uma furadinha em sua filha muitas vezes no dia, como se tivesse feito aquilo a vida inteira;
É saber diferenciar uma mal criação de um ataque por conta de alguma variação de glicemia;
É fazer lindas amizades virtuais para trocar experiências visando sempre melhorar sua qualidade de vida;
É usar uma boa parte do seu dia para fazer pesquisas em busca de novidades e informações;
É ajudar sem esperar nada em troca;
É estar sempre por dentro de todas as novidades sobre diabetes e pesquisas mesmo odiando a área de saúde;
É informar, escrever, conversar, debater, perquisar, simplesmente para contribuir com a “causa”;
É ser tão frágil e ao mesmo tempo tão resistente;
É se desdobrar em 20 em busca da felicidade de toda família;
É ter medo, mas ter que esquecer que ele existe para que as coisas caminhem;
Ser mãe é saber lidar com coisas complicadas de um jeito descomplicado para que sua filha possa ter uma vida completamente normal, mesmo que para isso você tenha que fazer algumas privações pessoais, e ainda achar isso a coisa mais legal do mundo (e realmente é)!!!
E assim sou mãe!!!!! Tento fazer a minha parte da melhor forma possível... Que Julia usufrua de minha pequena contribuição em sua vida assim como ela desde tão pequena me ajuda e ensina, com sua precoce maturidade, coragem e disciplina, a me tornar uma pessoa e uma mãe muito melhor.
Feliz dia das mães para todas as minhas “doces mães” amigas e guerreiras, para minha “sogrinha mãe”querida, para minhas cunhadas companheiras, kika, Maryna, katha e Sandrinha, para minhas “tias mães” do coração e para minhas amigas e primas queridas.
Feliz dia das mães para o meu maridão que é muito mais que um pai para a nossa filhota... É de um cuidado, sensibilidade, carinho e atenção que tem um “quê” de mãezona...
E finalmente um Feliz dia das mães muuuito especial para a minha mãezinha que amo demais e que a cada dia me dá carinho, companhia, exemplos e forças para que continue sendo pelo menos um pouco para a minha Julia daquilo que ela sempre representou para mim... Te amo sempre!!!