sábado, 23 de dezembro de 2017

10 anos


23 de dezembro de 2007. Era um domingo. A madrugada tinha sido bem agitada. Tinha algo errado com a Júlia e Carolina não tinha conseguido dormir. Não era só ansiedade de pais de primeira viagem. Perto da hora do almoço de um lindo dia de sol, perfeito para curtir a praia, estávamos saindo do consultório de uma amiga querida que nos deu um diagnóstico difícil de imaginar para alguém de pouco mais de um ano de idade: Diabetes. Logo na antevéspera de Natal... Tantos planos... Como seria daqui para frente? O que esperar do futuro? O que tínhamos feito de errado? Como enfrentar a situação? Os pensamentos dos pais de uma criança diabética ao receberem o diagnóstico, não são nada doces... O impacto da notícia, medo do desconhecido, insegurança de como conduzir o tratamento e a mudança na rotina de todos... E no dia seguinte, véspera de Natal... Família reunida, insegurança e ansiedade... Tenho que confessar que o clima em casa estava bem pesado.  Ganhamos nosso presente por volta das 20h, quando Susana, de férias com a família em Maceió, nos recebeu para a primeira consulta após o diagnóstico. Só aqueles que amam sua profissão e são comprometidos com o próximo aceitariam interromper as férias para acalmar nossos corações aflitos. Encontramos um rumo, tínhamos orientação e um plano. Estava na hora de iniciar nossa caminhada. Comecei a escrever esse texto depois de passar pelo quarto da Júlia e perceber que ela estava ocupada trocando o cartucho de sua bomba de insulina. Aos 11 anos de idade, minha Jujuba conquistou autonomia para se cuidar, com uma maturidade que não cansa de me surpreender. Se todo pai vibra e fica orgulhoso com as conquistas dos seus filhos, posso dizer de mim? Todos os dias vislumbro uma menina que não deixa sua condição de saúde limitar sua vida e seus planos, que enfrenta a aridez de sua rotina com disciplina e perseverança, ensinando a todos ao seu redor a conjugar o verbo persistir, com exemplos de resiliência que ao longo dos anos ajudaram outras tantas pessoas em situações parecidas... É... ela está cada vez parecida com a mãe, em todos os sentidos... É de Carolina que vem tanta força, pensamento positivo e um senso de atenção e preocupação com os demais que ajudam a explicar por que ela se tornou tão querida, pela família, por seus colegas de escola, professores e amigos. Estar aqui, 10 anos depois, só me lembra que o sentido do nosso Natal, na última década ganha sentido na perseverança, disciplina e alteridade. Não chegaríamos aqui sem o suporte dos Avós, Tios, primos e demais parentes, que nos abraçaram e nos deram suporte. Impossível ter uma vida normal sem professores, amigos da escola e dos profissionais de saúde que não medem esforços para incluir as atenções e cuidados diários no cotidiano de todos os lugares que Júlia frequenta. Se o Natal é tempo de refletir de reunir as pessoas de quem gostamos, aproveito aqui para agradecer a todos que dia após dia, nos cobrem de presentes, que tem as cores da atenção, do carinho, do cuidado e do amor com a nossa Jujuba. Não há nada melhor do que receber e poder aproveitar esse espaço para agradecer e comemorar pelos primeiros dez anos dessa caminhada, que tem tantos capítulos pela frente.
MARCOS

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